quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ali já éramos tão felizes



Estava aqui, conversando com minha
amiga melancolia, e relembrando os tempos lindos de uma infância muito bem vivida sem obrigações, sem responsabilidades, sem horários a serem cumpridos à risca.  Mas ela me fez pensar de uma forma diferente, e entender que sim, eu tinha minhas obrigações, eu tinha sim, muitas responsabilidades, porém, essas eram maravilhosas.

Eu me lembro de que todos os dias, pontualmente às 07:00 da manhã, eu tinha que estar na escolinha ou no prézinho, pois, se eu me atrasasse não veria a dona aranha subir pela parede e consequentemente não veria a chuva forte derrubá-la, e também não veria àquela barata malandra que sempre me enganava, dizendo ter 7 saias de filó, e que na verdade só tinha uma, que barata. Ela garantia ter um chinelo de veludo, mas eu tinha certeza que ela tinha mesmo era o pé peludo. Ah, eu não era tão inocente assim, eu era malandro!

Depois de chegarmos, fazíamos uns desenhos muito bem produzidos; eu me lembro de que nos desenhos, minha mãe parecia sempre uma batata, e meu pai era igual a uma letra G. Acho que já saímos do prézinho pós-graduados em minhocas de massinha, pelo menos era a única coisa que sabia fazer. Outra obrigação cumprida à risca, sem pestanejar, era cantar o hino do lanche. Todos juntos, cantávamos alegres, sorridentes, crentes de que ficaríamos fortes e grandes, mas eu não vi muito resultado hoje dia. Alguns dos meus amigos, não são fortes e alguns nem dignos de uma altura decente. Lembro-me da tia me dando uma laranja descascada, suco de uva, um pratão de arroz e feijão com carrne. Ali já éramos tão felizes.

O momento mais difícil era a soneca, puxa vida, nunca encontrava um lugar bom para ficar. Já me prendia a decisões importantíssimas: deito-me próximo ao meu melhor amigo ou daquela menina que eu gosto?  Ou ao contrário no caso das meninas. Mas uma coisa era certa, a soneca era o momento mais importante do dia. Irresponsável era aquela professora, que ousava em nos acordar, na melhor parte do sonho, quando estávamos prestes a fazer o gol na final da copa do mundo, contra a argentina, dentro do Maracanã lotado ou então quando estava prestes a receber um beijo daquele príncipe lindo de olhos azuis dentro daquele lindo castelo de cristal.

Dado o horário da saída, preparávamos para ir embora, já pensando no que trazer amanhã já que é dia de brinquedos e pensando minuciosamente também no que fazer quando chegar em casa. Brincar de pique-esconde, pega-pega ou elefante colorido? Ah não, tenho um jogo de futebol contra os meninos da rua de baixo.
- Mãe, corre que vai, senão vou me atrasar. Vai começar o chaves e depois eu quero assistir o Xtudo e O Mundo de Beakman


8 comentários:

  1. que memoria Dani !

    agora como parceiro de blogosfera tem de comentar o blog dos amigos....faz parte do seu processo de divulgação !


    abraço man !

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  2. A parte que eu mais gostei foi a que se você faltasse não veria a Dona Aranha subir pelas paredes. Grande sacada Dani.

    Aguardo, ansioso, por mais contos desse tipo. A leitura é ótima.

    Parabéns

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  3. Está ai a prova de que você será um ótimo Jornalista!!!

    Parabéns pelo texto e por nos lembrar o quão era bom viver aquela época de responsabilidades maravilhosas!!!

    Abraço

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  4. Eu amei. Eu fico tão feliz quando sei que pessoas como você me dão o privilégio de estar por perto. Ainda mais você, Dani. Li e reli e cada vez me identifico mais. Que saudade desses tempos! Amo você e continua me fazendo deleitar com leituras como essa ♥

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  5. Muito bom... Gostei demais desse post. Ele me fez lembrar da minha infância, bela infância por sinal. rs
    Belíssimas palavras, descreveu muito bem a sua infância. *--*

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  6. Lindo texto, nos leva a nossa infancia numa viagem deliciosamente involuntaria, e quando termina da uma sensação de "poxa? não tem mais?" entao o jeito é ler e reler pra ser perder de novo, mas ele sempre chega ao fim. Amei, mesmo. Vou estar seguindo depois disso, não posso perder o proximo!

    Raehli Hage
    http://nidum.blogspot.com/

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  7. Oi Daniel,

    Belíssimo! Entendo com um período que vai ser mais que lembrança e menos que esquecimento.

    Beijos.

    Lu

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