sábado, 19 de novembro de 2011

Manifesto do Eu


Há pouco tempo terminei de ler um livro maravilhoso, O homem duplicado, do simplesmente brilhante José Saramago. Este livro trata de um assunto interessante e muitíssimo pertinente. Saramago nos conta a estória de um homem que ao assistir a um filme se depara com um personagem que é uma cópia fiel dele mesmo. No decorrer do romance, acompanhamos a busca de um homem pela sua identidade, pela sua subjetividade, pela sua essência mais verdadeira, mais pura. Tertuliano Máximo Afonso tendo se afogado num redemoinho de reflexões e questionamentos sobre seu “Eu” busca ferozmente recuperar a sua identidade que fora roubada pelo seu duplicado.

Depois de ler esse livro me deparei com algumas questões interessantes: E se tivéssemos uma cópia nossa? O mesmo tipo de cabelo, a mesma cor do olho, a mesma altura, a mesma cicatriz no braço direito, o mesmo sinal de nascença na nádega esquerda. E se a voz fosse igual, o mesmo timbre com a risada idêntica? E se a nossa semelhança fosse tão gritante a ponto de até mesmo nossos pais e amigos não conseguissem nos apontar como o verdadeiro? Quem seria o verdadeiro? Quem é você?

Felizmente não temos uma pessoa que seja um duplicado nosso, pelo menos desconhecemos sua existência. Mas mesmo assim, sem essa cópia algumas pessoas não se encontram não se sente verdadeiros. Parece que sempre temos que provar para nós mesmos, olha eu existo, eu não sou aquela pessoa que, equivocadamente, os outros dizem que eu sou. Na verdade eu nem gosto de rock, eu gosto é de forró bebê!

A sociedade vive nos empurrando conceitos e atitudes que devemos seguir, simplesmente por que assim tem que ser. Mas eu se eu não gostar da música da moda? E se eu quiser ser vegetariano? E se eu não quiser ficar com aquele garoto? E se eu não quiser transar com aquela gostosona no primeiro encontro? Sociedade eu posso renegar as sua regras? Posso ser um anarquista e ir contra esse seu sistema? E se?

Posso escolher aquele tênis amarelo com laranja? Eu gosto dessa combinação. Posso ouvir a música Zulu, típica de alguns países africanos? Não gosto de pop ocidental. Posso preferir Mc Catra a Chico Buarque? Posso gostar de Britney Spears e AC/DC? E de Calypso e Charlie Brow? Posso assistir ao Programa Raimundo Pereira, aquele senhor que vende produtos para os cabelos, panelas, cremes para hemorroidas e plena rede nacional? Gosto do saudosismo dele, falando dos artistas do passando. Posso comer pão com banana? E bucho de bode? Posso rir com os desenhos que passam na cultura, mesmo tendo 19 anos de idade? Posso tratar as mulheres como algo que me completa e não algo que eu completo com o meu sexo? Posso ser amigo das pessoas sem pensar em usufruir de alguma influência que elas tenham? Como homem eu posso ser sensível sem que pensem que eu sou gay? Eu posso?

Quero poder andar com o meu tênis amarelo com laranja sem problema nenhum! Quero comer pão com banana todos os dias sem que as pessoas se incomodem com isso! Quero comer pão de queijo com mostarda! Quero poder chorar lendo um bom livro! Quero rir de um filme de terror! Quero ir ao cinema sozinho às vezes! Quero me apaixonar pelo coração daquela pessoa e não pela conta corrente dela! Quero transar com mais de mil mulheres na minha vida! Quero transar com a mesma mulher pelo resto da minha vida, por que eu a amo!

Quero dar altas gargalhadas com os meus amigos em plena aula de Linguística, sei que é errado, mas eu quero! Quero ser vegetariano... Ah não agora eu quero comer carne! Quero beber só um copo e meio de cerveja, enquanto os meus amigos já estão na sétima garrafa! Quero ser um Arquivologista, não sei o que é isso, mas eu quero! Quero rir de mim quando eu tropeço, mas quero rir de você também! Eu quero!

Ao invés de ser eu mesmo na minha intimidade, posso ser em público, sem fingir que sou uma pessoa diferente só para te agradar Sociedade, eu posso?

Guardo minha essência no meu coração, mas eu quero dividi-la com alguém. Se pudesse eu daria um pedacinho de mim para cada pessoa que eu conheço e gostaria que elas fizessem o mesmo. Compartilhar experiências, emoções, alegrias é melhor maneira de se descobrir e descobrir outras pessoas. 

domingo, 16 de outubro de 2011

O menino e o pássaro


Todas as noites, quando saia para caminhar, aquele menino de olhos tristes, ficava encantado com belíssimo pássaro, que aparecia todas as noites, no galho mais baixo, da árvore mais solitária daquele bosque. Era pequenino, dourado e com o bico avermelhado de onde saia um canto magnífico e encantador, capaz de envolver qualquer pessoa com as suas notas melodiosas e doces. Dava para perceber naquele ritmo compassado; o amor ao qual ele dedicava àquelas canções. A beleza do seu canto era capaz de envolver qualquer um, numa atmosfera de prazer, de perfeição, de contemplação. Não existiam problemas; nem dor, muito menos medo.

- Olá, muito prazer! Estava andando por aqui, quando me deparei com a beleza do seu canto. Eu posso me sentar nesta pedra e admirá-lo por um momento? Perguntou o menino.
- Sim, claro. Será um imenso prazer dedicar-lhe um canto - disse o pássaro. Ninguém vem me visitar, logo eu, que tenho o canto mais belo de todos. 

Naquela noite o pássaro cantou lindamente, como se aquele momento fosse o último de sua vida. Era impossível ser indiferente a ele, negar o seu encanto era o mesmo que negar à vida o direito à liberdade; negar ao sonho o direito de ser real ou a enfermidade à cura.
Impressionado, o menino disse: Magnífico, muito obrigado por me permitir admirá-lo. Fez da minha noite a mais feliz de todas. Bem-aventurado aquele que puder ouvir pelos uma nota desse inesquecível som; completou o menino.

O Pássaro percebeu que mesmo deleitando-se com o seu canto, o menino tinha nos olhos uma angustia dominante, que ia de encontro com o prazer daquela noite feliz. – Tens os olhos tristes, disse.
- Os motivos que tenho não me permitem ter outros olhos senão esses!
- Mas como? É jovem, belíssimo e é tão bondoso. São esses os motivos que, certamente, fazem de qualquer pessoa, um ser mais feliz.
- Não sei o que é o amor, muito menos sei o que é amar; disse o menino. Sempre vejo as pessoas falando da beleza do amor; da forma com ele as completa; de como ele é bondoso e justo. Gostaria muito que alguém fizesse questão de me ter todos os dias. Sempre sonhei em receber um abraço de amor; um sorriso de amor; um beijo de amor. Completou o menino, com os olhos tão gélidos, carregados com lagrimas as de uma tristeza absoluta.

- Não, não chores menino. Você tem uma vida inteira pela frente, certamente, saberás o que é amar. Terás o seu abraço de amor; o seu sorriso de amor; o seu beijo de amor.
Por favor, ensina-me? Você canta com uma ternura. Sua melodia faz com que o meu mundo encha-se de prazer, de vida. Ser-lhe-ei tão grato por isso – Interpelava o menino, enquanto enxugava as lágrimas.
- Não se pode aprender o amor. O amor não é algo que se aprender; é algo que se senti, que se vive. Pobre ser-se tu menino, que não pode sentir o calor dominante de um amor verdadeiro.

O pássaro sabia que não podia ensinar ao menino a amar, pois, o amor é algo maior do que, não pode ser conquistado com um simples ensinamento. Ele é uma condição eterna de felicidade e de contemplação absoluta do outro. Percebeu que não podia ensiná-lo, mas tinha condições de fazer com que ele o sentisse na melodia do seu canto sublime.
- Venha me ver todas as noites. Prometo fazer delas as mais felizes sempre, com muito prazer.
- Ah, meu querido pássaro, não imagina o quão grato serei a você. Quero ter em meu coração o calor que, todos dizem ser do amor.

Daquela noite em diante, sem falta, o menino visitou o pássaro, com a esperança de ser contemplado com o dom de amar. Não se sabe algum dia o menino foi capaz de receber o seu abraço de amor; seu sorriso de amor; seu beijo de amor. É certo que, a cada nota daquela música envolvente, suave e apaixonante que o pássaro dedicava àquele menino, trazia mais cor, mais vida ao seu mundo. Um mundo onde é possível admirar a beleza do canto de um pássaro, a verdade do desabrochar inocente de uma rosa; o carinho sincero da brisa que toca a pele, mas que não se pode e nem se sabe como amar.

Alguns acreditam que o menino ame de maneira diferenciada. Ele se apaixona pelos detalhes: o som da chuva caindo sobre o chão; o a paciência da lagarta para virar borboleta; a fidelidade de um pássaro que dedica à vida, para prover á um menino, de olhos frios e gélidos, a capacidade de simplesmente, amar. Admirar com prazer os detalhes, valorizando-os, talvez seja a forma como o menino ama. São os detalhes que tem os fragmentos mais verdadeiros da alma de um ser.


sábado, 17 de setembro de 2011

O balanço


Alguém conhece aquele menino, parado em frete a um velho balanço? O ranger do balanço, que é empurrado pelo vento, parece hipnotiza-lo, de uma forma impressionante.  Dá para ver nos seus olhos, suas lembranças melancólicas. Dá pra sentir a solidão que lhe envolve. Mas ele não parece triste, tão pouco infeliz. As lagrimas que correm em seu rosto dá-nos uma sensação de que a sua memória é carregada por alguns momentos felizes.

Uma senhora que passava ali por perto, evolvida por àquela solidão, perguntou ao menino o que ele sentia, se tudo estava bem. O menino respondeu que sim; mas disse também, que tinha saudade. Tinha saudade da linda menina de olhos cor de mel, que um dia conheceu. Evocava de coração os momentos felizes que um dia teve. Ah como ele sentia falta daquela sensação de que não existia dor, nem maldade, nem medo que a menina lhe causava. Ele tinha saudade da sensação de que o mundo era perfeito, mesmo com as suas imperfeições.

Curiosa, aquela senhora lhe perguntou o que o balanço tinha a ver com a sua condição, a de um melancólico solitário. Olhando para a senhora, com seus olhos triste, iguais à ressaca do mar, que carrega qualquer pessoa que lhe encare, para o mais profundo dos seus pensamentos e emoções, o menino disse sorrindo: Tão triste quanto uma pessoa que tem negado o direito de amar; é o balanço, que tem negado o direito de embalar os risos e alegrias de uma criança que com ele se diverte; tendo assim que se contentar com o empurrar do vento, frio, triste e gelado.


sábado, 23 de julho de 2011

Ato ou efeito de se apaixonar


Apaixonado: adj. 1. Quem se apaixonou 2. Cheio de paixão; enamorado, caído * sm. 3. Indivíduo apaixonado.


Muitas pessoas; de vários lugares; de diversas idades, sexo, cor e condição social já estiveram, estão ou estarão nesse estado.  Apaixonado. Todos esses indivíduos, sem exceção, padecem dos mesmos sintomas: falta de ar, tremedeira, frio na barriga, sensação de idiotice aguda. O bom seria afirmar que o diagnóstico final é que sempre, todos esses sintomas serão recompensados pela companhia e reciprocidade da pessoa desejada, mas infelizmente isso não é possível. Quantas pessoas você conhece, que se apaixonaram pelo menos 5 vezes, e foram totalmente correspondidas nessas 5 vezes?

Decepção nas paixões está para o homem; assim como o dedinho do pé está para a quina do móvel. Afirmar que essa é pessoa é o amor da sua vida é tão errado quanto desacreditar nas previsões que sua mãe faz para sua vida. A dor dessa paixão é tão cruel quanto aquele rapaz que ouve funk no seu rádio-celular, sem fone no ônibus. O certo é que você sempre vai ouvir àquelas músicas melosas, que você critica; quando se decepcionar com uma paixão.

O mais triste é saber que é sempre assim, para todos. E nem precisa ser nenhum especialista nessa área sentimental para afirmar isso, Eu mesmo não sou! Ou melhor, só os que já vivenciaram essa experiência podem afirmar isso, e como todos já passaram por isso um dia, somos todos especialistas.

Somos masoquistas sentimentais, gostamos de sentir os mesmos sintomas. Quantas pessoas você conhece que repetiram o mesmo erro, de se apaixonar da mesma forma e quebrarem a cara do mesmo jeito? Ou então o de insistirem na mesma pessoa, simplesmente por acreditarem que essa pessoa vai perceber que ela existe? - Um dia ela vai, eu sei que vai! E como é engraçado como ficamos sem criatividade, por exemplo, o nosso vocabulário, ele gira sempre em torno de uma única palavra: só. Só ela tem os olhos mais lindos, só ele tem o sorriso mais apaixonante. Só com ela serei feliz. Só ele alegra o meu dia.

Apesar de tudo isso, é tão bom se apaixonar. Como é bom sentir o friozinho na barriga quando ele está vido para perto e como é engraçado ficar meio gago na presença dela. E como é absurdamente vergonhoso se imaginar nas cenas do Titanic, pior ainda é fingir que aquela pessoa é o seu reflexo no espelho ou então é a sua almofada enquanto a beija. Esse é o estado mais vergonhoso do ser humano, mas é o mais maravilhoso e o primeiro passo para o amor.

Apaixone-se; seja bobo, isso é tão bom!


sexta-feira, 8 de julho de 2011

O que nos resta é admirá-las


Já vi alguns escritores, cantores e poetas que utilizaram do seu talento para discorrer de alguém muitíssimo difícil de compreender. A mulher.  O mais impressionante é ver que nem mesmo os avanços tecnológicos foram possíveis para determinar conceitos e teorias para entendê-las, ou pelo menos propor uma forma de fazê-lo.

São as mulheres os seres mais complexos da face da terra. Einstein, por exemplo, formulou a brilhante Teoria da Relatividade, explicou como ela se aplica e toda sua complexidade, mas não foi capaz de explicar como pensam as mulheres e qual o segredo que as envolve, e eu tenho certeza que ele tentou, porém, sem sucesso. E o brilhante Freud, que decidiu falar sobre a Psicanálise e explicar conceitos como consciente, pré-consciente e inconsciente, talvez para disfarçar uma possível incapacidade de formular uma teoria sobre como elas são tão sedutoras e apaixonantes e como ficamos bobos com um simples sorriso que venha delas.

Pitágoras determinou a relação entre os lados de um triângulo e provou que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, mas não conseguiu resolver essa simples fórmula: Mulher +TMP² ÷ Homem. Talvez seja esse o segredo da vida.

 Como é possível alguém estar feliz e dez segundos depois chorando, e incríveis outros dez segundos dando altas gargalhadas? Como? De uma coisa estou certo, quando Sócrates fora questionado na ágora, sobre essas alternâncias de humor de algumas mulheres, durante a TPM, ele foi curto e grosso na resposta: “Só sei que nada sei”.  A decepção de não saber como resistir aos encantos das mulheres fez com que Michel Foucault afirmasse, mesmo que nas entrelinhas, que a loucura é fruto da busca pelo entendimento de como funciona o universo feminino.

Quem pode nos explicar como essas mulheres são tão fortes, a tal ponto, que conseguem aguentar as dores de um parto ou de uma horripilante depilação com cera quente. E como algumas são capazes de abrir mão, muitas vezes de viver, para se dedicar aos maridos e aos filhos, simplesmente por que os ama, e por vezes sem reciprocidade. Quem pode explicar; Nietzsche ou Marx? É, são grandiosos intelectuais, mas não são tão ousados a certo ponto.

De uma coisa eu sei, elas não se resumem a meros objetos sexuais. São elas que nos encantam com sua doçura, nos seduzem com a sua sexualidade mais pura e nos assustam com a sua força e determinação. Antes de entendê-las o que será difícil, e acredito que impossível, devemos primeiramente respeitá-las e mais do que tudo, admirá-las. 


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Valem por um milhão

Como é bom saber que existe pessoas que você pode chamar de amigos. Não posso dizer que tenho um milhão de amigos, mas certamente, posso afirmar que alguns amigos que tenho valem por um milhão.

Conheço uma menina com uma beleza que pouquíssimas mulheres têm ou um dia terão. Ah, e ela é tão meiga, tão doce, tão sonhadora que por vezes parece não ser real, mas ela é real, de fato, pois, eu a vejo sempre. Tenho o enorme prazer de conhecer a mulher que é sua melhor amiga, porém, ela me confunde às vezes, pois, nunca sabemos se ela está bem-humorada ou então mal-humorada. Acredito que seja, esse, é o seu charme. Mas, se você a conhecesse garanto que se espantaria com tamanha beleza, incluo aqui tanto a interior quanto a exterior; e veria também  quão atraente são os seus olhos. Fica uma dica, não olhe diretamente para os olhos dela; corre-se o risco de se perder neles.

Felizmente eu posso afirmar que conheço a menor mulher do mundo, mas é engraçado dizer isso, pois ela não se comporta como a menor, mas sim como a maior de todas. Tem atitudes de uma mulher segura de si, que sempre soube o que quis, mas às vezes confundimos a sua firmeza, com chatice, o que na verdade não é. Ela também é tão bonita quanto às outras, e garanto a você, muitíssimo atraente. Marcante são os lábios da sua conterrânea, ou vizinha se assim parecer melhor. E tão forte é o poder que ela parece exercer sobre alguns amigos meus. Talvez seduzir seja a sua atividade favorita. Existe uma outra mulher, que parece mudar de cor, e isso é muito engraçado. Sempre que ela está em evidência, sua pele cora rapidamente. Afirmar que ela é meiga e muito amável é o mesmo que garantir que 1+1 é igual a dois.

Conheço uma que vem de longe, talvez a pontualidade não me permita discorrer sobre ela. Mas como ela é encantadora. Quando ela chega - lembro-lhes que sempre atrasada; toma de conta do ambiente, com a sua figura marcante e agradável. Os gestos são a sua marca principal e a beleza exótica é o seu cartão de visita: olhos verdes, cabelos cor de mel.

E os homens, são iguais sempre. Babamos com as lindíssimas mulheres que vemos todas as noites. Conheço um homem que parece pensar em sexo às 25 horas do dia. Porém isso não é uma característica que o diminui, não mesmo. Digno do nosso respeito ele é; não só por ser o mais velho de nós, mas por ser uma pessoa muitíssimo boa. Eu o admiro! Tem até um atordoado, que parece querer todas as mulheres do mundo, ao mesmo tempo, mas que admira apenas uma, que nós sabemos bem qual é. Lindos são os seus sentimentos. Conheço outro que é o nerd mais - com o perdão da palavra-, porra louca, que já conheci. Mas é uma amizade que pouquíssimos tem, e que me sinto feliz em tê-la.

Acredito que não coloquei aqui todas as pessoas que convivo, mas isso não por que esses são indignos de tais palavras, não mesmo; simplesmente não o fiz por falta de espaço. Todos são tão queridos e amados quanto, que fique isso aqui registrado.

Não sei se você tem amigos iguais a esses que descrevi aqui, mas se tiver, acredito que os sejam  tão maravilhosos quantos os meus. Fica um conselho: seja tão amigo deles assim como eles são seus. Ser amigo é um ofício tão difícil, que exige conhecimentos diversos, uma flexibilidade enorme, uma fidelidade absurda e principalmente muito amor. 




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nossos pais já sabiam



Não sei como foi o diálogo dos nossos pais antes de se prepararem para o nosso nascimento, mas se houve algum, acredito que tenha sido mais ou menos parecido com esse:

Pai – Meu amor, como vai ser quando tivermos o nosso filho?
Mãe – Bom, talvez ele nasça com dois quilos e trezentos gramas, uma graça de criança, com o nariz do pai, e os olhos lindos como os da mãe. Vai se chamar José ou então Maria, aprenderá a ler, a escrever e a andar também. Descobrirá que xixi se faz no banheiro e não no colchão. Eu sei que vamos passar noites e noites em claro, preocupados com a febre alta que não passa, com o braço quebrado dele ou com outras doenças que virão.

Mãe – Mas... e quando ele souber que menino tem “pipi” e menina “perereca”?
Pai – Bom isso você quem vai explicar para ele.
Mãe – Tudo bem, mas você quem vai dizer para ele de onde vem os bebes!
Pai – Puxa vida, falo que vem da alface, da feira ou da cegonha?
Mãe - Melhor da cegonha, bem melhor.

Mãe - Ele acordará todos os dias às seis da manhã, para ir à creche, ao prézinho e depois a escola.
Pai – É... Talvez seja ai que ele vai descobrir de onde vem os bebes!
Mãe – Ele será médico ou modelo...
Pai – Não, vai ser jogador de futebol ou então, professora!
Mãe – Bem, o que ele será não sei, mas que vai ser duro para ele trabalhar e estudar isso vai. Foi para nós, será para ele também.

Mãe – E quanto aos relacionamentos?
Pai – Se for menino, será um garanhão nato. Igual ao pai... Agora, se for menina, vai casar com uns 40, 50 anos, e virgem!
Mãe – Claro que não! Certamente ele vai se apaixonar muitas vezes e vai se decepcionar na maioria, e nós teremos que consolá-lo, todas às vezes, e quantas forem necessárias. Amar, não sei quantas, mas vai, e a dor dessa decepção será maior. Agora casar, impossível de prevermos, essa juventude tá tão bagunçada.
Pai - Mas se casar, eu vou querer uns cinco netos.

Mãe – Tenho medo dos momentos que teremos que brigar com ele. E quando ele disser que nos odeia, e que não o entendemos que somos velhos e chatos?  Ele vai querer fugir de casa?
Pai – É frescura! Mas é engraçado né? Já estou até imaginando-o dizendo que todos os amigos dele vão ao passeio da escola ou que todas as meninas tem aquela boneca. 
Mãe – Tenho uma boa desculpa para esses momentos. Dizemos-lhe: isso é para o seu bem, depois você vai nos agradecer! E com certeza ele vai.

Pai – Vamos fazer várias brincadeiras!  Faremos teatrinho de fantoche, brincaremos de monstro, de avião.
Mãe – Seremos felizes! Mas ele vai conhecer novos amigos, sairá de casa para, como eles dizem, curtir a vida. E voltará muitas vezes depois de ter “quebrado” a cara.

Mãe – Bom, temos que fazer o certo. Punir quando ele errar, parabenizar quando acertar. Ensinar-lhe-emos que a vida não é fácil, que os problemas não serão poucos e muitas vezes ele vai sentir vontade de desistir e de voltar para casa, mas sempre terá de levantar a cabeça e enfrenta-los. A vida é muito mais do que problemas, ela é linda e não se resume à problemas. Eles são apenas uma pequena parcela do que a vida tem a oferecer, vive-los pressupõe aprender mais. 



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ali já éramos tão felizes



Estava aqui, conversando com minha
amiga melancolia, e relembrando os tempos lindos de uma infância muito bem vivida sem obrigações, sem responsabilidades, sem horários a serem cumpridos à risca.  Mas ela me fez pensar de uma forma diferente, e entender que sim, eu tinha minhas obrigações, eu tinha sim, muitas responsabilidades, porém, essas eram maravilhosas.

Eu me lembro de que todos os dias, pontualmente às 07:00 da manhã, eu tinha que estar na escolinha ou no prézinho, pois, se eu me atrasasse não veria a dona aranha subir pela parede e consequentemente não veria a chuva forte derrubá-la, e também não veria àquela barata malandra que sempre me enganava, dizendo ter 7 saias de filó, e que na verdade só tinha uma, que barata. Ela garantia ter um chinelo de veludo, mas eu tinha certeza que ela tinha mesmo era o pé peludo. Ah, eu não era tão inocente assim, eu era malandro!

Depois de chegarmos, fazíamos uns desenhos muito bem produzidos; eu me lembro de que nos desenhos, minha mãe parecia sempre uma batata, e meu pai era igual a uma letra G. Acho que já saímos do prézinho pós-graduados em minhocas de massinha, pelo menos era a única coisa que sabia fazer. Outra obrigação cumprida à risca, sem pestanejar, era cantar o hino do lanche. Todos juntos, cantávamos alegres, sorridentes, crentes de que ficaríamos fortes e grandes, mas eu não vi muito resultado hoje dia. Alguns dos meus amigos, não são fortes e alguns nem dignos de uma altura decente. Lembro-me da tia me dando uma laranja descascada, suco de uva, um pratão de arroz e feijão com carrne. Ali já éramos tão felizes.

O momento mais difícil era a soneca, puxa vida, nunca encontrava um lugar bom para ficar. Já me prendia a decisões importantíssimas: deito-me próximo ao meu melhor amigo ou daquela menina que eu gosto?  Ou ao contrário no caso das meninas. Mas uma coisa era certa, a soneca era o momento mais importante do dia. Irresponsável era aquela professora, que ousava em nos acordar, na melhor parte do sonho, quando estávamos prestes a fazer o gol na final da copa do mundo, contra a argentina, dentro do Maracanã lotado ou então quando estava prestes a receber um beijo daquele príncipe lindo de olhos azuis dentro daquele lindo castelo de cristal.

Dado o horário da saída, preparávamos para ir embora, já pensando no que trazer amanhã já que é dia de brinquedos e pensando minuciosamente também no que fazer quando chegar em casa. Brincar de pique-esconde, pega-pega ou elefante colorido? Ah não, tenho um jogo de futebol contra os meninos da rua de baixo.
- Mãe, corre que vai, senão vou me atrasar. Vai começar o chaves e depois eu quero assistir o Xtudo e O Mundo de Beakman


domingo, 8 de maio de 2011

Como Dom Quixote


Enfrente alguns muitos redemoinhos de vento, que insistem em aparecer na sua frente, eles são iguais aos medos que temos. Impedem-nos de viver o que de melhor há para ser vivido. Ah, esses redemoinhos!

Não se esqueça dos dragões, os grandes e maldosos, eles são como os nossos problemas, consomem as nossas energias, levam a nossa alegria para longe, muito longe e se você não enfrentá-los certamente nunca mais a encontrará. Hum... Não se esqueça dos filhotes, eles roubam a nossa concentração e nossa paciência. Ah, maldosos dragões!

Seja um cavaleiro andante, ganhe as batalhas que a vida lhe oferece. Mas conquiste essas vitórias com ética, com respeito e humildade. Um cavaleiro que se preze é digno de ser admirado pela sua postura humana, mesmo que essas batalhas, por vezes, não pareçam humanas. Esse cavaleiro deve ter ao seu lado um fiel escudeiro, um Sancho Pança, aquele amigo que o acompanha nas suas muitas loucuras, que dividirá com você as alegrias, e também lhe ajudará a se curar dos ferimentos de uma batalha, por hora perdida.

Procure, por onde for a sua amada Princesa, Dulcinéia de Taboso, ela é a mais linda de todas.  Será ela, a te acompanhar nas suas andanças pelo mundo, a te fazer feliz e ser retribuída por você, com uma felicidade maior ainda. Ah, minha linda Dulcinéia!

Talvez ser como Dom Quixote, é ser um pouquinho mais humano



Companheiros