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domingo, 8 de janeiro de 2012

O colorido palhaço sem cor


Alto, aproximadamente 1,90 de altura. Magro, mais ou menos 67 quilos. Meio careca, olhos fundos, negros e tristes. Essas são algumas das características do palhaço Plôm, uma das principais atrações do Gran Circo Espoleto.

Todos os dias, às 18 horas, Plôm começa a se preparar para o seu show, o último da noite.  Pinta-se com as cores mais lindas, alegres; as cores mais vivas que qualquer palhaço do mundo inteiro, um dia já se pintou. O seu nariz é de um vermelho tão intenso quanto o da rosa mais bonita que já existiu. Teu chapéu tem um amarelo tão apaixonante e revigorante, que muitas vezes confundem-no com o sol nas manhãs de verão. As cores das listras da sua camiseta parecem que foram pegas a título de empréstimo do Arco-íris e como pagamento, o palhaço oferece os risos das pessoas que o assistem todas as noites.

                Mesmo sendo tão colorido como é Plôm se vê preto e branco. Em toda a sua vida como palhaço, nunca se viu colorido, pelo contrário. Para ele não há cor, nenhuma. Uma dor o incomoda, um triste sentimento. É impedido de ser feliz, de ver o intenso vermelho  do seu nariz, a sua belíssima camiseta colorida, não lhe permite se deleitar com o brilho apaixonante do seu fabuloso chapéu.

Essa dor nada mais é do que a tristeza que sente por não ter ninguém ao seu lado. Alguém que lhe faça dar altíssimas e exageradas gargalhadas como uma criança inocente. Infelizmente ele nunca encontrou essa pessoa. Anos e anos fazendo pessoas rirem sem ter que lhe faça rir. Plôm é consciente de que faz pessoas felizes e de que as pessoas o procuram com a intenção de curarem a suas carências com as palhaçadas dele. Mas quem curaria as suas carências, era o que sempre se perguntava.

                Plôm nunca entendeu que nasceu para isso, e que fazia muitíssimo bem. Era o melhor palhaço de todos. Não compreendia que esse dom, o de divertir as pessoas, era um dos mais incríveis dons que existem. Poucas são as pessoas que fazem isso com prazer, com alegria. Aquele que não se entrega completamente a essa arte, torna-se falso, sem graça, sem vida. Mas apesar de se entregar totalmente a isso, o palhaço não se sente feliz. Ele não é feliz justamente porque não se permite ver como tal: como alguém que nasceu para completar o coração dos outros com as suas peripécias mais inocentes e engraçadas; um palhaço que enche de cor a vidas das outras pessoas.

Aceitar-se como um problema é difícil, mais ainda é aceitar-se como alguém que pode mudar a vida de outras pessoas com a sua bondade, sem ter alguém ao seu lado que faça o mesmo por você. Plôm vive assim, fazendo bem aos outros, continua colorindo a vida dos outros com a esperança de que alguém lhe traga cor, vida e muitos risos.


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