Alto,
aproximadamente 1,90 de altura. Magro, mais ou menos 67 quilos. Meio careca,
olhos fundos, negros e tristes. Essas são algumas das características do
palhaço Plôm, uma das principais atrações do Gran Circo Espoleto.
Todos os dias,
às 18 horas, Plôm começa a se preparar para o seu show, o último da noite. Pinta-se com as cores mais lindas, alegres;
as cores mais vivas que qualquer palhaço do mundo inteiro, um dia já se pintou.
O seu nariz é de um vermelho tão intenso quanto o da rosa mais bonita que já existiu.
Teu chapéu tem um amarelo tão apaixonante e revigorante, que muitas vezes confundem-no
com o sol nas manhãs de verão. As cores das listras da sua camiseta parecem que
foram pegas a título de empréstimo do Arco-íris e como pagamento, o palhaço
oferece os risos das pessoas que o assistem todas as noites.
Mesmo
sendo tão colorido como é Plôm se vê preto e branco. Em toda a sua vida como
palhaço, nunca se viu colorido, pelo contrário. Para ele não há cor, nenhuma. Uma
dor o incomoda, um triste sentimento. É impedido de ser feliz, de ver o intenso
vermelho do seu nariz, a sua belíssima
camiseta colorida, não lhe permite se deleitar com o brilho apaixonante do seu
fabuloso chapéu.
Essa dor nada
mais é do que a tristeza que sente por não ter ninguém ao seu lado. Alguém que
lhe faça dar altíssimas e exageradas gargalhadas como uma criança inocente. Infelizmente
ele nunca encontrou essa pessoa. Anos e anos fazendo pessoas rirem sem ter que
lhe faça rir. Plôm é consciente de que faz pessoas felizes e de que as pessoas
o procuram com a intenção de curarem a suas carências com as palhaçadas dele. Mas
quem curaria as suas carências, era o que sempre se perguntava.
Plôm
nunca entendeu que nasceu para isso, e que fazia muitíssimo bem. Era o melhor
palhaço de todos. Não compreendia que esse dom, o de divertir as pessoas, era
um dos mais incríveis dons que existem. Poucas são as pessoas que fazem isso
com prazer, com alegria. Aquele que não se entrega completamente a essa arte,
torna-se falso, sem graça, sem vida. Mas apesar de se entregar totalmente a
isso, o palhaço não se sente feliz. Ele não é feliz justamente porque não se
permite ver como tal: como alguém que nasceu para completar o coração dos
outros com as suas peripécias mais inocentes e engraçadas; um palhaço que enche
de cor a vidas das outras pessoas.
Aceitar-se
como um problema é difícil, mais ainda é aceitar-se como alguém que pode mudar
a vida de outras pessoas com a sua bondade, sem ter alguém ao seu lado que faça
o mesmo por você. Plôm vive assim, fazendo bem aos outros, continua colorindo a
vida dos outros com a esperança de que alguém lhe traga cor, vida e muitos
risos.
